Ontem fomos fazer a reavaliação com eco na Cuf Descobertas. Foi a Dra Susana que nos atendeu.
Está tudo mais ou menos na mesma: líquido nos pulmões, coração e na zona abdominal. Apesar disso acabámos por nos aperceber que o onfalocele é bastante pequeno, com o que parece ser apenas uma parte do intestino de fora, e não o fígado ou qualquer outro órgão. Isto foram boas noticias... Agarramo-nos a tudo o que conseguimos como boa noticia...
Outra boa noticia é que a bebé tem, aparentemente, o cérebro sem qualquer líquido e de aspecto normal... Isto sim, uma boa noticia muito significativa!!
O grande problema continua ser a parte respiratória e cardíaca, não só porque a qualquer momento o coração da bebé pode não aguentar a pressão e deixar de bater, mas também porque ao ter tanto líquido nas cavidades o próprio desenvolvimento dos orgãos está comprometido... por isso mesmo supondo que conseguia levar a gravidez a termo, há a possibilidade de a bebé não conseguir desenvolver os pulmões e de não conseguir respirar à nascença... São muitos os obstáculos à vida da nossa pequenina mas pela primeira vez desde que temos o diagnóstico, ontem de repente consegui pôr a hipótese de conseguirmos chegar a termo e da nossa bebé sobreviver pelo menos até à nascença... Posso dizer que isto foi o mais próximo que tive nos últimos 2 meses de sentir Esperança.
Foi também a primeira vez que senti a minha filha mexer-se! :) Já me parecia na semana passada que de vez em quando a sentia mas não me permiti acreditar nem pensar muito nisso. Mas ontem com o ecógrafo encostado à barriga senti e tive a confirmação no ecran. Foi um bom momento para mim, um vislumbre de felicidade! Gostava de a começar a sentir mais, para me ligar mais a ela, para me permitir acreditar mais, para me lembrar que é uma vida que tenho na barriga, é a minha bebé! Acho que apesar de friamente o saber e tomar todas as decisões com esse pensamento racional na cabeça, emocionalmente ainda não me sinto ligada a ela como minha filha. Em conversa com uma amiga que tem 3 filhotes apercebi-me que essa falta de ligação inicial no segundo filho pode ser normal, mesmo para quem tem gravidezes sem grandes problemas. Posso vir a ter, para além de tudo, todo o drama que acompanha uma mãe de segunda viagem que é deixar de ter um filho único, o nosso bebé, a quem dou a minha atenção total e sem divisões há 2 anos, para ter de adaptar toda a família à vinda de um segundo bebé... Não consigo ainda pensar muito nisto, mas ontem pela primeira vez passou-me pela cabeça:
-e se ela nasce? e se sobrevive? como virá? que tipo de problemas terá? como vamos adaptar a nossa vida a um bebé com, possivelmente, necessidades especiais? Será que vamos ter capacidade emocional para tudo isso? e financeira? e como se vai adaptar o Rodrigo a tudo isto?
Por muito horrível que isto soe, às vezes não sei do que tenho mais medo: se de perder, ou de ter este bebé...
Uma vez mais a única resposta que tenho para tudo isto é que Deus me dará o que eu preciso de ter para as minhas aprendizagens nesta vida... tenho de, "somehow", Confiar. Mesmo que algo nos pareça "mau" e que soframos com isso, há um lado bom em tudo! e vice-versa. Acredito que muitas vezes as coisas ao longe parecem mais assustadoras do que depois na realidade são. Quando nos acontecem coisas assim e somos confrontados com elas não temos outra opção senão seguir com o caminho para a frente e ir lidado com as dificuldades que vão surgindo. Não vale a pena sofrer por antecipação, e adaptamo-nos a tudo!
Entretanto apercebi-me agora que ainda não fiz grandes menções às duas médicas que nos têm seguido, mas realmente só tenho a dizer bem!
A Dra Mariana Loureiro é a minha médica desde os meus 15 anos e já me conhece bastante bem. Ainda assim a experiência com a parte de obstetrícia só surgiu com o Rodrigo há 2 anos e fiquei sempre muito tranquila e serena com a assistência dela.
Nesta gravidez e com tudo o que temos passado tem sido impecável mesmo! É super querida, e compreensiva, tem paciência para as minhas mil dúvidas e sinto que tanto ela como a Dra Susana tentam sempre ser o mais honestas e francas comigo que lhes é possível, o que acredito que nem sempre seja fácil, mas que agradeço e aprecio infinitamente... Tenho a certeza que estou super bem entregue e em boas mãos, o que me traz a serenidade que tanto preciso!
Em relação à Dra Susana, apesar de só a conhecer há 2 meses, tenho a maior consideração por ela enquanto profissional, é muito calma e "suave" mas assertiva, em tudo o que diz e faz, e uma vez mais para além de acreditar muito nas competências enquanto médica, na parte humana também me dá tudo o que preciso para me ir aguentando nestes tempo difíceis.
Ontem acabei por perguntar a ambas, em separado, uma questão que já me tinha passado várias vezes pela cabeça: quantos casos como o meu é que já tinham tido. A resposta foi semelhante para as duas: poucos. E dos poucos que tiveram a grande maioria optou por interromper a gravidez. A única que a Dra Susana se lembra de não ter interrompido perdeu o bebé numa fase mais precoce do que a que eu estou já... A única que a Dra Mariana se lembra que levou a gravidez para a frente nasceu, efectivamente, mas não tinha quaisquer outros problemas para além do síndrome de turner, ou seja, não tinha hidrópsia nem o higroma, que é o que esta a por em risco de vida a minha pequenina.
Isto significa que na realidade nenhuma faz ideia do que esperar nos próximos tempos... o que acabou por me dar algum alento e esperança, ainda que pouquinha, mas que absorvi e à qual me agarrei com unhas e dentes... Tudo o que me possa trazer algum conforto é para guardar!
Próximos passos: eco morfológica daqui a 2 semanas, quinta-feira dia 22, seguida de um ecocardiograma fetal feito por um especialista, para ver como está o coração da nossa pequena mais detalhadamente.
Mais duas semanas a viver pela metade, suspensa... mas desta vez com um pequenino grão de esperança no coração.
Está tudo mais ou menos na mesma: líquido nos pulmões, coração e na zona abdominal. Apesar disso acabámos por nos aperceber que o onfalocele é bastante pequeno, com o que parece ser apenas uma parte do intestino de fora, e não o fígado ou qualquer outro órgão. Isto foram boas noticias... Agarramo-nos a tudo o que conseguimos como boa noticia...
Outra boa noticia é que a bebé tem, aparentemente, o cérebro sem qualquer líquido e de aspecto normal... Isto sim, uma boa noticia muito significativa!!
O grande problema continua ser a parte respiratória e cardíaca, não só porque a qualquer momento o coração da bebé pode não aguentar a pressão e deixar de bater, mas também porque ao ter tanto líquido nas cavidades o próprio desenvolvimento dos orgãos está comprometido... por isso mesmo supondo que conseguia levar a gravidez a termo, há a possibilidade de a bebé não conseguir desenvolver os pulmões e de não conseguir respirar à nascença... São muitos os obstáculos à vida da nossa pequenina mas pela primeira vez desde que temos o diagnóstico, ontem de repente consegui pôr a hipótese de conseguirmos chegar a termo e da nossa bebé sobreviver pelo menos até à nascença... Posso dizer que isto foi o mais próximo que tive nos últimos 2 meses de sentir Esperança.
Foi também a primeira vez que senti a minha filha mexer-se! :) Já me parecia na semana passada que de vez em quando a sentia mas não me permiti acreditar nem pensar muito nisso. Mas ontem com o ecógrafo encostado à barriga senti e tive a confirmação no ecran. Foi um bom momento para mim, um vislumbre de felicidade! Gostava de a começar a sentir mais, para me ligar mais a ela, para me permitir acreditar mais, para me lembrar que é uma vida que tenho na barriga, é a minha bebé! Acho que apesar de friamente o saber e tomar todas as decisões com esse pensamento racional na cabeça, emocionalmente ainda não me sinto ligada a ela como minha filha. Em conversa com uma amiga que tem 3 filhotes apercebi-me que essa falta de ligação inicial no segundo filho pode ser normal, mesmo para quem tem gravidezes sem grandes problemas. Posso vir a ter, para além de tudo, todo o drama que acompanha uma mãe de segunda viagem que é deixar de ter um filho único, o nosso bebé, a quem dou a minha atenção total e sem divisões há 2 anos, para ter de adaptar toda a família à vinda de um segundo bebé... Não consigo ainda pensar muito nisto, mas ontem pela primeira vez passou-me pela cabeça:
-e se ela nasce? e se sobrevive? como virá? que tipo de problemas terá? como vamos adaptar a nossa vida a um bebé com, possivelmente, necessidades especiais? Será que vamos ter capacidade emocional para tudo isso? e financeira? e como se vai adaptar o Rodrigo a tudo isto?
Por muito horrível que isto soe, às vezes não sei do que tenho mais medo: se de perder, ou de ter este bebé...
Uma vez mais a única resposta que tenho para tudo isto é que Deus me dará o que eu preciso de ter para as minhas aprendizagens nesta vida... tenho de, "somehow", Confiar. Mesmo que algo nos pareça "mau" e que soframos com isso, há um lado bom em tudo! e vice-versa. Acredito que muitas vezes as coisas ao longe parecem mais assustadoras do que depois na realidade são. Quando nos acontecem coisas assim e somos confrontados com elas não temos outra opção senão seguir com o caminho para a frente e ir lidado com as dificuldades que vão surgindo. Não vale a pena sofrer por antecipação, e adaptamo-nos a tudo!
Entretanto apercebi-me agora que ainda não fiz grandes menções às duas médicas que nos têm seguido, mas realmente só tenho a dizer bem!
A Dra Mariana Loureiro é a minha médica desde os meus 15 anos e já me conhece bastante bem. Ainda assim a experiência com a parte de obstetrícia só surgiu com o Rodrigo há 2 anos e fiquei sempre muito tranquila e serena com a assistência dela.
Nesta gravidez e com tudo o que temos passado tem sido impecável mesmo! É super querida, e compreensiva, tem paciência para as minhas mil dúvidas e sinto que tanto ela como a Dra Susana tentam sempre ser o mais honestas e francas comigo que lhes é possível, o que acredito que nem sempre seja fácil, mas que agradeço e aprecio infinitamente... Tenho a certeza que estou super bem entregue e em boas mãos, o que me traz a serenidade que tanto preciso!
Em relação à Dra Susana, apesar de só a conhecer há 2 meses, tenho a maior consideração por ela enquanto profissional, é muito calma e "suave" mas assertiva, em tudo o que diz e faz, e uma vez mais para além de acreditar muito nas competências enquanto médica, na parte humana também me dá tudo o que preciso para me ir aguentando nestes tempo difíceis.
Ontem acabei por perguntar a ambas, em separado, uma questão que já me tinha passado várias vezes pela cabeça: quantos casos como o meu é que já tinham tido. A resposta foi semelhante para as duas: poucos. E dos poucos que tiveram a grande maioria optou por interromper a gravidez. A única que a Dra Susana se lembra de não ter interrompido perdeu o bebé numa fase mais precoce do que a que eu estou já... A única que a Dra Mariana se lembra que levou a gravidez para a frente nasceu, efectivamente, mas não tinha quaisquer outros problemas para além do síndrome de turner, ou seja, não tinha hidrópsia nem o higroma, que é o que esta a por em risco de vida a minha pequenina.
Isto significa que na realidade nenhuma faz ideia do que esperar nos próximos tempos... o que acabou por me dar algum alento e esperança, ainda que pouquinha, mas que absorvi e à qual me agarrei com unhas e dentes... Tudo o que me possa trazer algum conforto é para guardar!
Próximos passos: eco morfológica daqui a 2 semanas, quinta-feira dia 22, seguida de um ecocardiograma fetal feito por um especialista, para ver como está o coração da nossa pequena mais detalhadamente.
Mais duas semanas a viver pela metade, suspensa... mas desta vez com um pequenino grão de esperança no coração.
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