segunda-feira, 29 de agosto de 2016

2- Assimilar as noticias... o inicio da espera!

No dia seguinte a ecografia publiquei no grupo das mães da TAP sobre o que se estava a passar, na esperança de que alguém já tivesse passado por isto ou que conhecessem alguém que já tivesse ouvido falar num higroma cístico... Ninguém conhecia, mas acabei por receber uma onda de apoio e solidariedade como acho que só nós, mães, sabemos dar tão bem, sem esperar nada em troca. Durante as semanas que se seguiram continuei a receber mensagens de força ou para simplesmente para saber como estava, e embora muitas vezes me sentisse sem energia para conseguir responder, a verdade é que quando o fazia acabava por me ajudar...
Acho que vivi as primeiras 48 horas (e muitas outras nas semanas seguintes) no google... o que tem coisas boas e coisas más... mas realmente é impressionante a quantidade de informação que conseguimos ter na ponta dos dedos em alguns segundos... Logo nesses primeiros dias apercebi-me da quantidade de bebés que têm higromas detectados nas ecografias, e na grande percentagem deles que não sobrevive... as perspectivas não eram animadoras.
Na quinta-feira dia 21 de Julho as 14h00 lá fomos para a biopsia na CUF Descobertas. Numa sala de ecografias, onde me lembrava de ter feito várias, incluindo a das 12 semanas, do Rodrigo, de onde tinha tido tão boas recordações, onde tinha sido tão feliz....
2 médicas, uma para fazer ecografia enqueanto a outra faz a biopsia, e mais 2 ou 3 enfermeiras. O Mário sentou-se ao meu lado, a minha rocha em todos os momentos, e após duas tentativas a Dra achou que tinha material suficiente para ser analisado. É um exame muito invasivo e desconfortável, mas não posso dizer que tenha sido doloroso.
Depois da biopsia tive que ficar 3 dias em casa, sem me mexer para nada a não ser para ir à casa de banho... uma autentica tortura para mim!! Uma vez mais o Mário foi tudo o que eu poderia querer, Desde tratar do Rodrigo ir para casa dos avós e ir lá levá-lo, a dar-me de pequeno-almoço, almoço e jantar e para ter comigo todas as conversas que eram difíceis mas inevitáveis.... e para muitos abraços e mimo que tanto precisei. Não é muito extrovertido mas sabe ser sólido e calmo como ninguém quando me faz falta... e nesses dias fez-me muita falta alguma calma e tranquilidade... E sei que apesar de me mostrar este lado calmo, por dentro também estava a sofrer e com medo por tudo o que nos estava a acontecer.

Decidimos logo naqueles dias que se nos fosse dada a opção de interrupção da gravidez iríamos sempre decidir tendo em conta o bem estar e a qualidade de vida do nosso bebé. Se fosse alguma coisa com a qual ela conseguisse ter uma vida em que pudesse ser feliz, não iríamos abortar. Graças a Deus nunca tivemos qualquer divergência de ideias em relação a isto.
A primeira parte dos resultados deveriam demorar 3 dias úteis a chegar. A Dra Susana avisou-me logo que antes de Segunda ao fim do dia não os deveria ter. Esperar... Uma coisa que me custa tanto! O certo é que segunda-feira ainda não tínhamos resultados. Liguei para a Dra Mariana que me prometeu pressionar o laboratório. Terça as 11 da manhã ligou-me. Disse-me:
-Querida já recebemos os primeiros resultados e tudo aponta para que seja Síndrome de Turner. Este síndrome só afecta mulheres, que dentro das suas limitações conseguem viver vidas relativamente normais. Normalmente as raparigas têm os cromossomas XX (e os homens o XY), neste caso ficam só com um X. Por causa disso têm problemas de fertilidade e de crescimento. Mas estes podem ser controlados com hormonas e tratamentos. Podem também ter outros problemas associados, como cardíacos e/ou outros, que só com testes e análises posteriores podem ser detectados.
Combinamos esperar pelos resultados completos e depois iria ter com elas às descobertas para mais uma eco.
Ficamos até bastante aliviados com estas noticias! A perspectiva de uma trissomia 13 ou 18 era definitivamente pior, por serem incompatíveis com a vida... Dentro do possível eram boas noticias.
Esperaríamos então pelo resto dos resultados.

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